sábado, 26 de maio de 2007

Krishnamurti

A experiência de viver
A experiência é uma coisa; o viver é outra. A experiência é uma barreira ao viver; agradável ou desagradável, impede o florescimento dele. A experiência já está encerrada na rede do tempo, já está no passado; tornou-se memória, que só toma vida como reação ao presente. A vida é o presente; Não é experiência. O peso e a força da experiência ensombram o presente, e o viver se torna experiência. A mente é experiência, o conhecido, não pode pôr-se no "estado de viver"; o seu viver é continuação da experiência. A mente só conhece a continuidade, e não pode receber o novo enquanto dura a sua continuidade. O contínuo não conhece o viver. A experiência é o meio de se conhecer o viver, que é um estado sem experiência. A experiência tem de cessar, para dar lugar ao viver.
A mente só pode chamar a sua própria projeção, o conhecido. Não se pode viver o desconhecido, enquanto a mente não deixa de juntar experiência. O pensamento é expressão da experiência; é reação da memória; e enquanto o pensamento intervém, não é possível o viver. Não há nenhum meio ou método para se pôr fim à experiência; porque o meio é justamente um obstáculo ao viver. Conhecer o fim é conhecer a continuidade; e ter um meio para alcançar o fim é sustentar o conhecido. O desejo de realização tem de desaparecer; este desejo é que cria o meio e o fim. A humildade é essencial para o viver. Mas, com que sofreguidão a mente absorve o viver para convertê-lo em experiência! Como se apressa a pensar a respeito do novo e torná-lo, assim, velho! É assim que ele cria "o experimentador" e a "coisa experimentada", de onde nasce o conflito da dualidade.
No viver não há experimentador nem coisa experimentada. A árvore, o cão, a estrela vespertina não são objetos para serem experimentados pelo experimentador; são o próprio movimento do viver. Não há separação entre o obseravdor e a coisa observada; não há tempo, intervalo espacial para o pensamento se identificar a si mesmo. O pensamento está de todo ausente, mas oser está presente. Este estado de ser não pode ser pensado nem meditado, e não é uma coisa para ser alcançada. O experimentador tem de cessar de experimentar, para dar lugar ao ser. Na tranquilidade do seu movimento atemporal.
*Extraído do livro "Comentários Sobre O Viver", Editora Cultrix.

Jiddu Krishnamurti nasceu na Índia em 11 de maio de 1895. Adotado pela Sociedade Teosófica e educado com o objetivo de ser o "grande mestre que viria", Krishnamurti, com apenas quinze anos de idade, já morando na Inglaterra, foi declarado chefe da Ordem da estrela do Oriente, iniciando suas atividades como conferencista e escritor. Sua evolução espiritual, entretanto, tomou rumos inesperados para seus mentores. Krishnamurti mergulha numa violenta crise emocional que causa profundas transformações em sua personalidade. O chamado "Messias dos Teosofistas", recusa todos os títulos, dissolve a Ordem da Estrela e se nega a fundar ou participar de quaisquer seitas, como também a aceitar discípulos. O rompimento com a Teosofia aproxima Krishnamurti do sentido original do pensamento oriental, embora ele se negue a citar as escrituras, se preocupando em ser um divulgador desse pensamento, em formulações acessíveis à mente ocidental. Krishnamurti morreu nos EUA em 17 de fevereiro de 1986.

Um comentário:

Guzmán. disse...

Jiddu Krishnamurti ;

“There are three monks, who had been sitting in deep meditation for many years amidst the Himalayan snow peaks, never speaking a word, in utter silence. One morning, one of the three suddenly speaks up and says, ‘What a lovely morning this is.’ And he falls silent again. Five years of silence pass, when all at once the second monk speaks up and says, ‘But we could do with some rain.’ There is silence among them for another five years, when suddenly the third monk says, ‘Why can’t you two stop chattering?”


http://www.katinkahesselink.net/kr/jokes.html

http://seaunaluzparaustedmismo.blogspot.com/